Dias atrás alguém por quem eu tinha muito respeito (e a quem considerava um amigo) disse que se decepcionara comigo e que não estava disposto a conviver com “gente que pensa pequeno” (como eu).
Primeiro fiquei chocada. Depois desapontada, triste, deprimida. Depois tive raiva dele. Muita (Como é que alguém pode ser tão arrogante ao ponto de julgar os planos dos outros assim? De ME CHAMAR de medíocre quando ele próprio não parece estar obtendo grandes êxitos, realizando grandes feitos ou deixando um grande legado?!). Até que eu senti pena...
Por fim, examinei minha vida e pensei nos motivos que norteiam esses objetivos “medianos”para o futuro.
(Aqui entra a grande história de vida que você pode nem querer ler, mas que faz parte do meu exame de consciência)
Aos nove anos, planejei ser estilista. Uma vida cheia de glamour e dinheiro. Moraria num loft e seria super famosa, já aos dezoito.
Com quinze, achei que moda era coisa de patricinha e “decidi” ser artista. (Ainda poderia ser rica, famosa. Muitos artistas o são afinal...)
(Percebe o quão ingênua e idealista eu sempre fui?)
Desenvolvi grandes teorias na vida. Aos dezesseis, provei pra quem quisesse ver que eu era o centro do universo. Filosófica e geograficamente.
Com vinte e um já achava que ser artista era um engodo, uma falta de vergonha na cara de muitos que, como eu, tinham que fazer grande esforço para encontrar e justificar suas poéticas, e que, se era pra ser uma fraude, eu preferiria ser nada.
Ainda cursando bacharelado em gravura (GRAVURA, veja só), comecei a pesquisar e a teorizar sobre o comportamento humano. Estudei e escrevi sobre o assunto movida pela insatisfação com minhas próprias escolhas. Nem por isso deixei de pensar que minhas teorias mudariam o mundo. Busquei desvendar as verdades sobre as escolhas humanas durante anos (Arrogante, utópica, idealista ainda).
Fiz muitas coisas nesse meio tempo. Cursos, empreendimentos malucos, testes, tentativas e fracassos.
Aos vinte e cinco me apaixonei. O mundo parou. Larguei todos os planos e tentativas a fim de construir novos planos, em conjunto, é claro. Investi todas as fichas no maior objetivo de todos: o amor; enquanto retomava os planos de infância.
Como estilista, passei 90% do tempo lidando com gente prepotente e mau-humorada, dez horas por dias, seis dias por semana, às vezes sete, durante dois anos. E o quase colapso durante esse tempo me fez pensar - eu não preciso de dinheiro, nem ser famosa. Eu preciso de tempo livre pra ser feliz.
Quando fui deixada pelo “cara” que eu amava muitíssimo, já tinha feito tantas mudanças na vida por ele que fiquei perdida. Perdida, deprimida, frustrada e me sentindo estúpida por não ter um plano sem ele. E, de repente, o que sobrou daquele amor foi embora também, com dor e sangue, do jeito mais estúpido. A vida literalmente me atropelou.
Começar do zero com trinta é tão mais difícil do que com vinte que a gente pensa que não vai ter forças. Levei três anos pra confiar em mim mesma outra vez e agora, quase cinco anos depois, ainda sinto medo de não ser capaz ou de tudo dar errado (mas continuo tentando). Aprendi a ser humilde. A maior lição de todas.
Hoje começo a fazer novos projetos, sem a pretensão de antes, porque prefiro dar um passo de cada vez (quem já caiu sabe).
Meus únicos planos concretos na vida são viajar e aprender. E meu maior objetivo é ser feliz durante a maior parte do tempo, e ver mais gente feliz à minha volta. Quem sabe ajudar alguém a ser feliz também.
Não sei onde, como ou quando direi que concretizei meus planos. Eu acredito em mudanças permanentes.
Assim, concluo que penso pequeno mesmo (ele tem toda a razão). E hoje acrescento a essa lista de coisas dispensáveis: ter amigos que valorem mais minha ambição do que minha essência.
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Ele ESPERA que eu me torne uma pessoa melhor. E eu desejo o mesmo pra ele (de um jeito até egoísta, pois nos meus planos de ser feliz, singelos e grandes ao mesmo tempo, esse tipo de pensamento nem cabe).
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